segunda-feira, 9 de janeiro de 2012

Olhos


Redondos, multicolores.
Vêem minha vida, meus amores,
Apequenam-se no medo
Apequenam-se no desespero.

Insaciáveis ao ver a traição,
Humanos ao ponto de sentir prazer,
Covardes por não me deixarem ver
Coisas que só imaginamos com o coração.

Pobres olhos, burros e insanos
Acham que o errado é o certo.
Quer sempre o que está longe, nunca perto
Depois ficam aí, fechados pelos cantos.

domingo, 27 de novembro de 2011

Grandes Pensamentos


E que vivam os grandes pensamentos
Simples, toscos e intensos
Preciosos a cada momento
Apaziguadores de ar como incensos.

E que vivam os grandes pensamentos
Retratos do salvamento da humanidade
Hoje, leiga, inerte e alienada de verdade
Que por não ligar, para em meio a seus contentamentos.

Meus plurais destoam perante a diversidade
Vosso singular, cheio de vaidade
Como uma roda, esse ciclo insano
Ciclando, reciclando e “reciclando”.

Pensamento, idéia, filosofia
Ideal, liberdade, liberdade, alegria
Seja protagonista, com ou sem companhia
Que sejam livres, simples, toscos e intensos
E que vivam os grandes pensamentos.

sábado, 15 de outubro de 2011

Transição


São sempre pequenas coisas
São sempre detalhes
Sempre o diferente que destoa
A fim de que tenham suas liberdades.

A ruga de uma velha cara
A rusga, ferida de uma vida mal aventurada
Sempre no seu pensamento antigo
Velho e antiquado, porém comedido

E como a respirar ares novos
Troca de pele e órgãos
Sobram-lhe somente os ossos
E a esperança de dias melhores

segunda-feira, 10 de outubro de 2011

Algo como algo


Algo, meu algo
Sem algo, sem algoz
Coisa, muda, sem voz
Tudo, mulher, alga

Subjetivamente objetivo
Delicado e singelo
Frio e sem gelo
Objetivamente subjetivo

Algo, concreto e palpável
Algo, pensamento, imaginável
Algo, sonho, utopia
Algo, sonho, fantasia

Algo comum e incomum
Algo, muitos ou somente um
Algo, como família, alga, fidalgo
Somente, algo como algo.

Rima e Poesia


Ouvidos tampados
Reproduzem o som dos desesperados
Como as notas do violão
Simples e calmas que te tocam o coração
Sorriso, melodia
Rima e poesia
É juntar olhos e almas
O afeto que afeta
Muita coisa se perde ao piscar os olhos
Ao piscar, um minuto sem você
No sonhar, sinto o teu abraçar
No acordar, espaços ha de sobrar
Tudo fraco, fraco como a fé
Solúvel, solúvel como café
Que tomamos e jogamos fora
E seu brilho no chão, minha aurora.

sexta-feira, 23 de setembro de 2011

Aliteração Assonântica


Foi como despertar para andar
E acordar para nadar,
É seu jeito que me deu um desjeito
E após seu beijo fiquei sem jeito e tive um desejo

Calado o segredo fica com medo.
Reparo o bebê no berço com um terço,
O mesmo terço, a fé, o medo, o segredo
Calado está na reza, com o terço, o bebê e o segredo.

Ao céu vejo pássaros a voar
Passarinho, passarão, pássaros a cantar
O grande céu cruel, passarinho passarão
Letras brancas num azul papel, fazem céu ou não

Pensar, desejar, vislumbrar meu amanhã
Os olhos fechar, você imaginar, venha a mim como um imã
Minha aliteração assonantica da vida
Só no pensamento, me contento, és só minha.

terça-feira, 30 de agosto de 2011

Soneto Do Maior Amor (Vinícius de Moraes)


Maior amor nem mais estranho existe
Que o meu, que não sossega a coisa amada
E quando a sente alegre, fica triste
E se a vê descontente, dá risada.

E que só fica em paz se lhe resiste
O amado coração, e que se agrada
Mas da eterna aventura em que persiste
Que de uma vida mal-aventurada.

Louco amor meu, que quando toca, fere
E que quando fere vibra, mas prefere
Ferir a fenecer – e vive a esmo

Fiel à sua lei de cada instante
Desassombrado, doido, delirante
Numa paixão de tudo e de si mesmo.